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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

E eu fiz até uma poesia para você

Me pergunto se algum dia vai dar certo. Se eu vou conseguir saber o que é isso de verdade. Porque você não me deixa escolha, você não me deixa escolher. Eu não sei por onde ir. Não sei se devo ficar.
A incerteza nunca me abandona, em nenhuma das vezes em que isso aconteceu. E eu queria saber se um dia isso vai ser diferente, porque cansa. Chego mais perto da exaustão à medida que não há mudanças.
Talvez não devesse, simplesmente. Afinal você não é meu e ninguém sabe se quer ser. Não sei. Fico presa nesse sentimento pequeno, que não deveria ser assim. Um dia eu vou saber, se deixar você decidir foi a minha melhor decisão. Te esperar. Mas é tão difícil não te querer. Por mais simples, por mais incerto, nunca fui desse jeito com nenhum outro. Porque quando se acha o que se procura, a única vontade é a de correr atrás. Será tão errado querer o que não se tem?

sábado, 16 de julho de 2011

Biografia ?


Fiquei perdida por muito tempo, querendo saber se eu ainda existia. Talvez seja esse todo o problema.

Perdi  um outro lado muito importante (não diria ter perdido, mas ocultado a maior parte do que eu era), o despojado, do contra, espontâneo, em outras palavras, aquela menina branquela, magrela, cheia de roxos na perna, que não estava nem aí se a roupa iria sujar, se o cabelo despenteava e me deixava parecendo mais um mico-leão-dourado, olhava no espelho e ria. Aquela que lutava judô ao invés de fazer balet, que ao mesmo tempo gostava de trocar as roupas das bonecas e montar casinhas minuciosamente, adorava jogar bola e andar de bicicleta. Que brincava de lutinha com os meninos da escola (e ganhava), mas que também não tinha medo de dar uma joelhada bem dada naquele lugar quando mereciam. Juntava os primos e fazia bagunça, gritaria, tentava evitar os conflitos, pegava os mais novos pelo colo e saia correndo pela casa, andava de patins no corredor, ficava o dia inteiro no vide-game quando todo mundo se empolgava para jogar. Muita coisa que hoje não faço mais. Os dias demoravam a acabar e perder tempo naquela época não fazia o menor sentido.
Fazer o que der vontade sem se importar com bobagens que hoje acabam estragando o potencial da diversão. Qualquer tipo de diversão.
Caso não tivesse guardado esse lado, tudo poderia ser um pouco melhor, mais empolgante e menos frustrante do que anda sendo. Foi como se eu tivesse criado essa vergonha besta de apenas ser, fazer e mais nada.

Ser de verdade é ter coragem para abandonar os preconceitos, receios e vergonhas que isso possa implicar, é aceitar todos os detalhes sobre si mesmo que possam não ser tão incríveis e conseguir achar graça. Senão somos só uma ocupação de espaço, um gasto de energia, um desgaste a mais para a natureza.

Me sinto uma bonequinha de luxo. Eu nunca fui assim. Quero voltar a ser de verdade, com cicatrizes, ir dormir sempre com um roxo novo, como uma marca de que alguma coisa aconteceu durante o dia. Quero ter de volta a vontade de subir no topo do trepa-trepa, sem a malícia, e poder dizer com a absoluta certeza que eu sou a dona do mundo, pelo menos do meu.

                                                                                                                   Go Depp.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Inexplicável

É estranho. Nunca me senti assim. Sempre fui mais a fundo, me entregava. Agora não...
Será que isso seria amadurecimento? Ou apenas não estou fazendo a coisa certa?
Ansiosa? Sim, um pouco. Tá... como nunca estive. Mas, mesmo assim, nada que poderia fazer com que eu caísse na mais profunda amargura quando acabasse...
Algo diferente, que de certa forma está fazendo bem pra mim. Só não sei até quando...
Não sei se vou sentir falta, se pode vir a se tornar algo sem o qual eu não poderei mais viver...
Só sei que me dá uma sensação boa... Não a ponto de me deixar invencível, mas boa.
Simplesmente assim...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Cegueira

Se alguém me perguntar exatamente do que eu tenho medo, eu nunca vou ter certeza, não importa o que eu resolver responder. Talvez de não ser o suficiente para ele ou de descobrir que ele não é o suficiente para mim. Porque eu criei todo esse desejo, aliás, o desejo se procriou em mim, tipo um vírus mesmo, e agora eu tenho que tomar mais atitudes, só que de repente eu não tenho tanta vontade de tomar alguma atitude, como se sei lá, a inércia tivesse tomado conta. Eu sei mais do que ninguém que se eu nunca tentar eu nunca vou saber, porque eu sempre falo isso para todo mundo, mas sinceramente, o que deu em mim dessa vez? Eu não sinto como se eu quisesse fazer alguma coisa. Eu gosto dele, muito, eu acho, pelo menos pelo o que eu conheço dele até agora. Mas eu não tenho certeza se daria certo. Lógico, a gente nunca tem, mas a gente sente de algum jeito que poderia dar e eu não me sinto tão segura em relação a isso. Acho que esse é o maior problema. Eu não consigo me entregar assim, às cegas. Por quê? Medo. De quê? Não faço a mínima ideia. Porque no fim das contas a gente não tem nada a perder. Ou tem?

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Vento

-Queria ser como o vento...
-Como o vento? Pra quê? Na maioria das vezes só atrapalha! Bagunça o cabelo, traz poeira para os olhos...
-Engana-se... Queria eu ter o poder de movimentar as nuvens; dar vida às plantas levando seus esporos às condições ideais de germinação... queria eu poder acariciar aquela pele...
-Você é um romântico!
-Pode ser... Mas o vento... O vento é uma das quatro essências...
-Pobre louco!
-O vento é leve, sensível... Como você pode não gostar dele?
-Vou-me! Continua com as suas loucuras longe de mim!
-Posso até ser louco, mas pelo menos enxergo a vida com outros olhos e, graças a isso, ela tem graça. Eu é que tenho pena de você, que não passa de um clichê da sociedade... Pobre alienado...