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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O Processo Gatatu

Sobre escrever claramente o que dói.
Eu continuo te dizendo que estou bem. Mas estar bem depende do que poderia estar mal. Eu estou bem em todos os sentidos? Não. O meu ego não está bem, ele tá bem feridinho.
Poderia dizer pra mim mesma que ego é algo desnecessário, culturalmente criado em mim. Bom, artificial ou não, ele existe. Dizer pra mim mesma que devo destruí-lo talvez seja o mesmo que tentar ignorá-lo.
Deixando bem claro que ego pra mim não é nada saudável. Ego é diferente de auto-estima. Caso ele esteja ferido, sua auto-estima não necessariamente estará abalada. No momento estou tentando entrar no processo que chega até esse resultado magnífico.
O meu problema é que na minha humilde opinião sobre atração física e psicológica, uma pessoa que ama outra pessoa, não poderia se apaixonar por uma segunda caso esta não estivesse em um nível igual ou superior à primeira. E é aí que o meu ego se feriu. Por mais que comparações sejam algo repugnáveis, é inevitável. Ela pode até falar que não se compara comigo, você pode até falar que não se compara com ele, mas até que ponto?
A gente não se compara o tempo todo tentando ser pessoas melhores? O simples  fato de admirar alguém de certa forma é uma comparação com outras pessoas que não admiramos tanto assim.
E eu olhando pra ela, fuçando nas redes sociais dela, fico julgando o tempo inteiro, fico tentando adivinhar onde é que está a superioridade ou igualdade dela em relação à mim.
É claro que não é tão simples, as pessoas são diferentes e certas diferenças são incomparáveis.
Você deve estar me julgando nesse exato momento sobre como eu posso ser alguém tão terrivelmente julgadora. Mas olha aí você fazendo o mesmo.
A gente julga o tempo todo. Não são só pré-julgamentos, são simplesmente julgamentos. Isso pode se tornar algo ruim em um certo ponto, mas na real, é o que a gente faz. A gente julga se iria se dar bem ou não com tal pessoa, julga o jeito como ela se comporta com você e com os outros, mas não necessariamente de uma forma ruim. Vira problema quando começam a transformar esses julgamentos em bases para decidir as atitudes que serão tomadas diante da indivídua.
O meu ciúmes se baseia no fato de que eu possa não ser mais a sua pessoa preferida no mundo. Ou seja, a parcela de bajulação que eu recebia de você possivelmente terá que ser dividida entre essa sua nova amante.
Você deve estar pensando, mas porque isso seria tão ruim? Ser parte das suas duas pessoas favoritas no mundo...
Existe uma palavra chamada "exclusividade". Ser exclusivo é um ideal. Isso vem desde lá de longe quando me falavam que eu era uma pessoa única no mundo, especial. E a gente cresce tentando acreditar nisso até que chega alguém e consegue de certa forma te fazer sentir desse jeito.
Isso, mais uma vez, não é saudável..

Mas como, oh querida pessoa desapegada dos valores que lhe são atribuídos, eu vou me livrar dessa sina de querer ser alguém mais do que especial pra você? Quando você significa tanto pra mim? 
Eu digo como. Ao invés de esperar que eu receba essa admiração de fora pra dentro, vou começar a tentar me dar a devida admiração, de dentro pra dentro mesmo. 
HAHAHA ai como você é fofa, isso é tão auto-ajuda né? Adoro.

Não.
Isso é sobrevivência. Se não você vai querer morrer a cada vez que levar um fora de alguém que você ama. 
Lembrando que isso não é fácil, é um processo, como eu já falei no começo do texto. Entrando nesse processo as coisas vão melhorar progressivamente. Porque é assim que tem que ser. Independência é a matéria fundamental da confiança. 
Não começarei a apreciar minha própria miséria. 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Você costumava me contar as coisas de um jeito diferente

O mundo é esquecido. Digo, ele se esquece facilmente. Queria poder tocar o que eu não sou mais, ouvir o que meu corpo me dizia naqueles instantes. Mas estarei eternamente presa no instante que me faz agora. Não que aquele seja um passado, já que essa coisa de passado ou futuro não existe. Aquele instante ainda é o que eu sou hoje, só não posso mais senti-lo. Todo esse preenchimento eterno do agora, não me satisfaz. Devo esperar para que um novo agora me faça melhor? E existe isso de novo agora? Só existe o agora. Esse agora que me detém, que me esvazia, que me sufoca na ânsia de perdê-lo. Porque não queremos nos esquecer? Queremos sempre respirar novamente os mesmos detalhes derradeiros. E isso me entristece. Quero levar todos meus agoras comigo, sem dissipar suas fragrâncias e, se tivesse todos eles comigo, não seria nada pois todos eles se esgotariam. A natureza é corrosiva. Minha existência dói, e se não doesse, eu não existiria.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Nos trilhos dos instantes

As coisas que aconteceram com a gente ano passado embaçam tudo aquilo que aconteceu antes e durante. Mas por que me apego tanto a ele? Foi vivido para que pudéssemos estar onde estamos agora e, mesmo não estando feliz, não há nada que pudesse ter feito para que estivesse. O ano passado de vocês não foi o mesmo que o meu, óbvio. Existe alguma coisa de irrecuperável, de intensidade marcante que me faz querer tudo de novo e de novo. Como uma montanha russa frágil que só se pode andar uma vez. Depois de sair do carrinho ela quebra. Estou tentando juntar os pedaços até agora. Olhando pra minha vida, existiram outros anos passados como esse. Existiram temporadas de anos passados muito bons, mas nenhum foi essa montanha russa frágil, essa máquina alucinada de nostalgia. E eu que o ignorei tantas vezes até agora, o fiz querendo valorizar meu ano novo. Não consigo mais. Vocês são os únicos pedaços aproveitáveis que eu tenho dos destroços. Por favor não quebrem. Por favor, posso fazer o que for para que fiquem limpos, fortes, conservados. Só preciso de um pouco mais de vocês. Ou de um ano novo.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Pilares da sua ponte

As pessoas que você quer existem. Elas estão por aí. Você nem sempre vai encontrá-las, mas é loucura pensar o contrário. E essas pessoas têm pessoas, sempre tiveram, sempre terão. Não acredite que você será a mais importante delas e nem mesmo queira isso, você na grande maior parte das vezes não será, e se dê por satisfeito, afinal de contas, você as encontrou, as conheceu, e por mais que depois disso pareça que foi simples, não foi. Milhares, sim, milhares de coisas aconteceram no momento certo para que você pudesse entrar na vida delas do modo que entrou. Agradeça por isso. Se elas partiram depois de um tempo, não se desespere. Um dia você também vai partir da vida de outras e isso também não vai ser fácil para elas. Existe um motivo por trás das partidas, por mais confusos que sejam às vezes. Não desista de partir e muito menos de chegar. Lembre-se sempre: elas existem.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Cadeia elementar

Você sabe pra quê. Você tem discursos completos pra explicar e. Eu tenho esse embrulho no estômago de noite quando eu percebo tudo o que eu não fui. O que é que tem não corresponder à nenhuma expectativa. O que você ganha sendo o melhor? A gente fica nessa corrida pra saber quem chega lá e esquecemos de ficar por aqui antes de pensar adiante. Por que você escolhe isso? Por que não escolheu aquilo? Por que não? Aliás, o mundo seria um lugar melhor se as pessoas tentassem ser melhores uma com as outras ao invés de tentarem se sobrepôr. Eu é que não quero me dedicar para entrar no mercado de competições. Os melhores na frente e os bonzinhos que se fodam. Eu quero estar aqui. Eu quero ser isso e não tentar ser aquilo. O que é que eu tenho que melhorar? Eu sou tão ruim assim? Por que eu continuo me desaprovando e reprovando todo mundo? Pra mim ninguém é bom o bastante porque ninguém precisa ser bom o bastante. Somos só esse monte de carne pensante achando ser melhor do que o resto da natureza. Se quer saber um golfinho raciocina melhor do que você. E eu nem quero mais discutir sobre isso porque no final a gente precisa ser melhor pra conseguir comida. Não ter que mamar nas costas dos outros. Não é assim no mundo lá fora? A seleção não é natural?

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Por me fazer lembrar

Já te escrevi muitas dores. Confesso que quanto aos amores, fiquei devendo. Tá na hora de compensar. Esqueci a vontade de escrever depois que tudo se satisfez tanto. Essa junção gostosa de amor amigo, de irmãos pegando fogo, matou um pouco do pacote de espirros que fica guardado nos dedos. Esses dedos que já disseram tanto sobre: Nós. Eu dificilmente poderia explicar o quanto essa palavra me refresca. Só não posso estragar os bons momentos em descrições que virariam carne de vaca aos olhos dos outros. Penso que não há nada como estar com você. Obviamente, o estar é sempre diferente. Essa diferença é o que torna importante ou desimportante. E diferentemente das outras estadias, a sua é a que mais importa. Na alma mesmo, na pele. Menosprezo o resto mesmo. Ninguém me acalma e me inquieta como você, e todas as baboseiras de romances que um dia eu tive pra idealizar não chegaram perto da realidade do nosso caso complicado. Simplesmente porque te amar foi fácil, natural e incontrolável. Apesar dos pesares. E talvez os calos que ficaram é que fizeram com que fôssemos mais fortes. É o que eu espero. Que haja força, e que essa força nasça tão naturalmente como nasce a fraqueza da insegurança que nos envolve. Me entreguei do mesmo jeito que me entrego a um cobertor felpudo no inverno. Se o verão chegar, ligo um ar-condicionado.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Distanciamento

Acordo sem vontade. Muito diferente de como dormi. Os pensamentos fluem tão devagar no exato momento em que você acorda, mas dura tão pouco. Logo tudo o que dormiu com você se renova. Não mais como estava na noite anterior. Renova-se simplesmente.
Uma fresta de luz branca pálida que passa pela cortina grossa. Era isso o que eu tinha. Era o que eu levaria comigo durante o dia. Uma fresta tímida de luz dentro de mim, que pouco me abastece.
Engraçado como a vida material se distancia do espírito. Tudo em que toco torna-se quase imperceptível, tudo o que vejo não me chama a atenção e os ouvidos acostumam-se com as variáveis composições sonoras. O que mais se aproxima de mim são meus pensamentos e consequentemente as sensações emocionais. Aquela sucessão confusa de palavras que ecoam desorientadamente, em um desespero por sentir, uma busca por algo que não sei ao certo. Talvez pelo que um dia foi mais próximo do que aquela correnteza de impulsos nervosos do momento. Aquilo que causou uma mudança brusca no fluxo mental. Momentos em que a vida material e espiritual se misturam em um frenesi existencial que me proporciona toda a luz que precisaria. Tento recuperá-los quase que inconscientemente numa histeria interna, como uma criança abandonada que chora de vontade do leite da mãe, do colo, do abraço, da segurança e não entende por qual razão não pode ter tudo de volta. No entanto faço isso com racionalidade, busco respostas, tento entender o que deu errado, planejo metodicamente como recuperar aquele tipo de aproximação. É basicamente um impulso animal. Uma abstinência. Reações químicas, biológicas, hormônios, sinapses, eletricidade. Materialidade e espiritualidade. O que é mais real?

domingo, 19 de agosto de 2012

Prefiro o Sol


O céu queimou hoje. O sol latejava vermelho, mas por dentro o dia pareceu cinza.
Qual é a trilha sonora? "When somebody loves you". Não é o bastante a não ser que te amem o caminho todo.
Poetas, desenhos, ritmos. Seu olhar procurando o meu entre obras de arte. Sua voz morna na minha nuca, bem de perto. Arrepios, novidades, conflitos. Conflitos. Sede de viver, sede de te amar, sede de quebrar as regras, de esquecer das regras. "I find bliss in ignorance."
A companhia fresca que te renova, que te torna crente no sentimento, segurando nele, agarrando-o com a força do desejo. Paredes pixadas, preto no branco, sem nuances, é só utopia. Nada foi feito para dar certo. Nada é uma coisa ou outra. Você escolhe, você sempre escolhe como quer, até onde quer. Não há desculpas para não amar. Não há razões para poder chorar, o choro é involuntário assim como o amor. Nada segura. Começam quando explodem e só param quando acalmam.

domingo, 20 de maio de 2012

Autodigestão

É  tanto. Um tanto doído. Esquecido e de repente relembrado. Um tanto que tira sarro, que confunde.
Um monte agudo e largo, cutucando incessantemente sem a menor sombra de pena essa mente minha que se descontrola.
Será o sistema o culpado, serão os olhares, o ignorar, o desprezo, a preguiça? Será a falta de escolhas ou o pessimismo generalizado tão contagiante?
Eu sou o meu próprio monstro e meu herói enfraqueceu. Descansa inquieto num canto da mente. Quem sabe um dia acorde. Quem sabe um dia morra. Quem sabe um dia tudo mude. Quem é que sabe o que pode fazer para mudar?

domingo, 15 de abril de 2012

Cupcakes

Ultimamente eu não sei o que o momento é. Como ele é. Digo no sentido de definir a sensação que permeia o presente. Sabe quando você fala "ultimamente preciso desesperadamente fugir para qualquer lugar", ou então de dar a louca, ou qualquer outra coisa mais realizável, tipo comer a torta de banana da avó. Sei lá.
Não tenho me sentido nada. Quer dizer, tenho algumas vezes, mas não sei, parece que ando à mercê do acaso, um pouco mais indiferente em relação a tudo.
É uma coisa esquisita. E talvez ninguém se importe, mas dane-se, não estou desabafando para ninguém. Estou constatando para mim mesma o que este momento da minha vida não é, ou é. E você que não se importa ou se importa não tem absolutamente nada a ver com isso, então licença...
Sinto um pouco sim, um desejo sem sentido algum e irritantemente irracional de amar, mas não sei o que é isso, não sei se existe, nunca provei e não sei se é tão bom. E se eu não sei nada sobre isso como poderia ter vontade?
Também tem o fato de que as coisas andam acontecendo para mim. Fiquei muito tempo na ilusão, no sonho, na idealização. Agora que eu sei um pouco como são muitas das coisas que eu idealizava, posso ter me decepcionado e então perdido o anseio de idealizar de novo. De sonhar. Qualquer coisa.
Porque é aquele negócio, "nada é tão perfeito como o que você pode imaginar".


"Can you forget what you live for?"

À espera de um copo cheio

É quase raro ter certeza sobre esse tipo de coisa. Quando se tem algo que não é completo, que não te satisfaz por inteiro, mas não querer abrir mão das coisas boas que isso te traz. Ignorar o lado ruim, esconder a poeira debaixo do tapete e tentar esquecer que ela está lá.
Como saber se eu devo continuar ou não? Até que ponto isso é uma coisa boa, isso me faz bem? Ou até quando isso vai valer a pena?
Queria poder fazer com que isso fosse completo. Queria muito poder sentir tudo o que eu preciso sentir e que por algum motivo não posso.
A mediocridade é o que mais atrapalha o viver. Mas como saber esperar pelo o que não é medíocre? E se não posso permitir que algo incompleto tente me satisfazer, pelo menos pela metade, como sobreviver inteiramente vazia?

quarta-feira, 21 de março de 2012

Título de um texto sem vergonha

Eu quero poder criar mais coragem. Pra tudo. Me sinto uma fraca, uma passiva.
Eu quero falar mais foda-se e fazer o que der vontade sem aquela insegurança miserável que todo aquele bando de gente tem, e que me mata de vontade de soltar um ataque de riso no meio daquele bando de gente séria se espremendo para subir a escada do metrô. Aliás, o metrô é o lugar que me dá mais vontade de dar a louca do mundo. Ele é cheio de potencial. E me dá pena daquele bando de gente estagnada com cara de cimento todos os dias, todos os dias, todos os dias, assim que aquela porra daquele sinal vermelho da porta do trem apita.
Mas não é só isso. Quero parar de ter medo de amar. E de mostrar quem eu sou, e de saber quem eu sou, porque quando eu convivo, com qualquer que seja, aquela pessoa nunca parece ser eu mesma, e isso me dá um medo, me dá um medo de me decepcionar de novo, como sempre acontece. E me decepcionar é um fardo enorme, é uma coisa que vem comigo até a hora de dormir.
Então quero amar quem realmente eu quero amar, sem tentar tornar verdadeiro uma coisa que não nasceu verdadeira, que não parece verdadeira, que não sinto de verdade. Porque sei lá se vale a pena ou não quebrar a cara com alguém que obviamente vai quebrar sua cara, só porque você se sente daquele jeito que todos sabem por meio das canções de amor mais piegas que possam existir. Só por isso eu vou me arriscar? Por alguém que não está, no momento, me dando o valor que eu queria? Só porque com ele parece ser de verdade? SIM. Sim, sim porque eu preciso parar de ter medo. Parar de pensar que a vida tem longa duração e que não importa deixar de fazer uma coisa agora porque você ainda tem amanhã e semana que vem e até os 90 anos e o escambau. Não, não vou deixar de fazer o que eu sinto verdadeiro, apesar da contradição filosófica da palavra, só porque eu não tenho medo de morrer amanhã.

Meu nome é:

A sensação de perceber que eu posso me tornar qualquer coisa daqui para frente, e depois duvidar disso.

Será mesmo que eu posso ser quem eu quiser?
Não, para mim não podemos fugir do limite do que podemos ser. Apesar de mudarmos muito o tempo todo, certas coisas, a essência talvez, pode mudar até certo ponto.
Então não se iluda ao imaginar as infinitas possibilidades do que você possa ser no futuro porque há sim algo limitando.
Mas o que pode acontecer não é controlável e limitável. Qualquer coisa pode acontecer. Ao menos que você saia de casa de vez em quando. Óbvio.
É que às vezes dá uma preguiça fenomenal de sair da cama. Parece que vale muito mais a pena ficar criando e recriando uma vida imaginária do que acordar para tudo o que existe e que nem sempre parece ser o bastante.
Mas olhar a realidade como um caso perdido é muito mais fácil do que encarar ela de frente e prometer para si mesmo que aquele dia vai valer a pena em algum sentido, um sentido mínimo que seja. Se não você é apenas mais um daqueles soldadinhos marchando no metrô lotado de São Paulo, ou sentado passivamente assistindo a vida. Não, pelo menos prometa que vai fazer o que puder, apesar da preguiça, para mudar um pouco essa rotina.
Mas a verdade é que... não há verdade. Não sei. Não sei o que vale a pena ou não.
Sei que acordado também posso sonhar, vivendo ao mesmo tempo, mas dormindo apenas sonho.
Isso tudo parece um texto de best seller de auto-ajuda, mas de qualquer forma ter em mente que se tornar alguém não depende só dos outros e nem só de você, faz alguma diferença. Mas sim, depende muito da sua coragem para encarar a realidade que vai te fazer o que você será daqui alguns segundos.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Cadeados para nuvens

Algo nos bloqueia às vezes. Como se esperássemos muito de uma coisa e não tentássemos ser felizes com outra. Como se não valesse tanto a pena dar uma chance para o que não se espera muito.
Nunca se sabe afinal. Nem tudo o que se quer é o que se precisa. E o universo vai sempre arranjar o que precisamos, se tentarmos, se destravarmos. 
Esperar muito tempo por algo incerto, idealizado, nos faz perder o que está concreto, esperando por uma chance. 
O importante é abrir os olhos. Se deixar levar. Não dar tanta importância para o que talvez vá a ser. E pronto. Eventualmente você vai viver o que nunca esperou, e isso por vezes pode ser muito melhor.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O que ninguém sabe e todos ignoram

E se eu morrer?
Me pergunto isso todos os dias. Se o que eu faço era o que eu realmente queria fazer. Porque eu não faço do jeito que queria. Fico na dúvida entre jogar tudo para o alto e falar foda-se, não quero mais levar a vida tão a sério, ou continuar tentando assumir essa responsabilidade que me colocaram.
Mas e se eu realmente morrer amanhã? Agora?
Tudo acaba. E talvez não tenha sido como poderia. Talvez nunca seria. Talvez não pudesse ser. Ou apenas amarelei, deixei de tentar. Tentar o que afinal? Fugir? Gritar quando der vontade? Que coisa mais ridícula. Ninguém grita às... 02:38 da manhã só porque pode não sobreviver ao dia seguinte. Vai saber.
O medo é que é ridículo. Por que é que se tem medo quando tudo não passa de uma passagem e uma hora acaba? Uma hora ACABA. O que é que sobra afinal? Um bando de coisas que deixei de fazer por medo.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O que será do que não aconteceu?

Incontrolavelmente insatisfeita por hoje. Uma decepção, e eu nem sei se foi mesmo. Tive medo de não ter deixado transparecer todo o universo incrível que eu sei que fica rondando escondido por algum lugar aqui quando não deve. E uma irritação, como uma coceira, que quanto mais se coça mais a vontade de coçar cresce. 
Necessidade de apagar o dia e reescrevê-lo, da maneira como deveria ter sido, mas que por descaso, talvez, não foi.
Não vou saber o que deveria ou não ter feito.
Faltou espontaneidade e toda aquela atitude, aquela sensação que eu tento desesperadamente deixar de lado, toma conta. E é como se não houvesse saída a não ser sujeitar-se a uma auto humilhação, omitir o que não deveria ser omitido, o que deveria sair naturalmente.
Para ser mais verdadeira, o fato é que nervosismo é uma merda. E eu simplesmente não deveria ter ficado assim, não por causa daquilo, o que piora exponencialmente a situação, por escancarar o quanto aquilo foi errado.

O que deveria ter acontecido, o que eu deveria ter feito, bom, são coisas que é melhor não se perguntar mais. Importante é aprender a lição do momento, mesmo não sabendo bem o que ela é. Mesmo isso não fazendo o menor sentido? 
Queria que tudo tivesse sido diferente, mas não sobra nada a fazer senão saber lidar com o que aconteceu.


A dificuldade era que ela gostava mais de si mesma quando estava só do que quando estava junto. Uma vez sua mãe lhe disse que viver era fácil, conviver era o problema. E isso fazia todo o sentido. Quando estava sozinha, viver consigo mesma não era tão difícil, mas aceitar a ideia de quem ela era quando estava com os outros, isso sim era complicado. A única tristeza era então que apesar de ser mais fácil estar sozinha, ela estava sozinha.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Metafisicamente incompatível

Quando alguma coisa precisa ser expelida mas não se sabe como. A poesia foge. E essa noite que parece nunca ter passado. E esse dia que parece nunca ter terminado. É como se me transportasse para o começo de um ano que já acabou, mas que ninguém pode provar tal evidência. Então sinto essa chuva clichê cair no telhado de casa, e assisto filmes que nunca tinha assistido, leio livros que nunca tinha lido, mas que de alguma forma já os sabia por inteiros, sem precisar digeri-los fisicamente. Tudo é tão inexplicável que a minha mente não comporta o fato de simplesmente existir aqui, desse jeito, agora. Não havendo uma maneira de entrar em contato com qualquer resposta, sinto-me ofendida, como se a culpa disso fosse a minha própria incapacidade humana, sem me importar com o fato de ser uma característica geral. E se não for? Nunca fui todos os seres desse planeta, como saber se ninguém sabe sobre alguma coisa? E se souber, será que sou tão retardada a ponto de não poder descobrir qualquer evidência de lógica? Nunca fui muito racional, mas não consigo parar de procurar qualquer sentido que seja, mesmo sendo essa procura, talvez, inútil.
O que fazer se não existir? O que fazer, senão existir?

sábado, 14 de janeiro de 2012

Perguntem ao mérito

"Acredito na melhor coisa que eu já fiz". Qual foi a melhor coisa que eu já fiz? Não me lembro.
É impressionante como eu esqueço do mais importante. Acéfalo desmemoriado!
Tanta coisa inútil, tantas coisas que adoraria esquecer, mas isso, o que realmente importa, simplesmente expulsei da memória, descartei.
Não tenho nem ideia. A melhor coisa, não, essa aí é difícil dizer. 
A pior então? Humm.
Não temos as coisas com as quais nascemos e as quais recebemos ao longo da vida, não só coisas, mas acontecimentos, por mérito, suponho, e sim por alguma regra ou não-regra do universo, pela qual tudo é ou não regido, o que eu nunca vou saber. Ou vou.
Exceto para aqueles que acreditam em karma e paraíso e pecado... enfim. Não sei, não consigo acreditar em nada. Muito menos negar.
Então essa coisa seria totalmente insignificante para o rumo da minha vida, porque afinal não atuo em prol de um    futuro melhor, apenas atuo. Para quê mesmo?


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Você mesma

Uma coisa importante a não fazer (e não apenas decidir não fazer) é se acomodar. Não pense que só pensar e futurizar alguma coisa te levará a algum lugar. E não ache perdoável acordar bem tarde todos os dias nas férias e deixar-se levar horas no computador.
Ideias são ótimas. Mas são só ideias.
E desde quando você diz isso para si mesma? Quanto tempo faz que você fica se lembrando que não fez nada de útil ainda na sua vida?
Tudo bem que você é nova, mas sinceramente, sabemos que isso não quer dizer muita coisa.
Vai lá, se espreguiça, lava o rosto, coloca uma roupa decente e busque o que fazer. Mude alguma coisa, eu sei que você gosta de transformar. Qual a vantagem em ficar aí sentada olhando para cá o tempo todo? (E não vá achando que sair daqui para ir assistir um filme seja tão heroico da sua parte).
Olhe para a sua vida. Vê se mima ela mais tá? Faz isso por mim, por nós. E talvez tudo melhore um pouco que seja, o que já seria o bastante por enquanto.